FAAN vai processar Carlos Pacheco por causa da obra “Agostinho Neto – O perfil de um ditador”.

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Na base da acção judicial, estão “inverdades insanas” e “rótulos caluniosos” publicados na obra de dois volumes, pelo que, no comunicado citado pelo jornal angolano na versão online, a FAAN descreve Pacheco como um “antigo comando colonial português em Angola e Moçambique” e justifica a decisão do processo judicial em nome do primeiro presidente angolano “e dos seus companheiros que libertaram Angola, de armas na mão”.

"A obra seria doentia e irresponsável", segundo a instituição, "um livro recheado de delírios reaccionários e de inverdades insanas", que acusam Neto de práticas e de actos sem apresentar uma única prova factual ou documental.

“Muitos ofereceram a sua vida e não puderam beneficiar da cidadania, da liberdade e das oportunidades de um país independente. Não permitiremos que agora sejam desonrados e desqualificados como um bando qualquer, entre outros rótulos caluniosos”, diz a nota.

A obra foi lançada no mês passado na Torre Tombo, o arquivo português, onde o autor disse ter passado dez anos a consultar documentos, entre cartas, depoimentos e relatórios da PIDE e de líderes militares dos dois lados.

“O Neto praticou coisas muito feias”, afirmou Carlos Pacheco no lançamento, tendo acrescentado que “os outros também praticaram – Savimbi, Holden Roberto, mas o que me custa é ver toda uma multidão representando a figura do Neto como um homem impoluto, que cumpriu uma direcção boa para o movimento, conduziu as coisas de forma acertada, e o que ele fez não redundou nos prejuízos do seu movimento. Redundou sim e os prejuízos foram muitos, desde o momento em que o Neto assumiu o comando do MPLA, em 1962, o movimento entrou numa desagregação contínua”.

O autor acredita que “traz à luz esta parte desconhecida da História”. “Aliás, minha grande preocupação nesses dez anos foi arrancar do reino dos mortos aquilo que ninguém conhece ou que, muitas vezes, os antigos guerrilheiros até conhecem, porque foram protagonistas da História, mas querem ignorar, fazem um grande esforço para ignorar, esquecer. É horrível. Os senhores vão ler uma obra chocante”, declarou.